Dra Monica Cabral Endocrinologista
Medicamentos antiobesidade - Dra Monica Cabral Endocrinologista

Medicamentos antiobesidade

As medicaçoes mais utilizadas para a perda de peso estao listadas na tabela abaixo.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu a utilização e suspendeu do mercado em 2011, mesmo com a posiçao contraria do Conselho Federa de Medicina e as principais Sociedades Medicas de Endocrinologia e Obesidade, os medicamentos pertencentes ao grupo dos derivados feniletilamínicos (femproporex, anfepramona e mazindol) do mercado.

A sibutramina já está no mercado há mais de 10 anos, e um único estudo de segurança, feito em uma população de indivíduos com mais de 55 anos, apontou quais pacientes não deveriam utilizar a medicação (aqueles com doença cardiovascular com manifestações clínicas graves: infarto, angina pectoris, hipertensão descontroladaeacidentevascularcerebral).

No Brasil, os órgãos competentes (ANVISA) não proibiram o uso da sibutramina para a perda de peso mas a substancia foi suspensa na Europa e nos EUA.
Outra história, não tão recente, ocorreu com o rimonabanto (Acomplia), droga que se mostrou excelente para o tratamento da obesidade visceral e suas complicações. Após ser aprovada nos EUA, Brasil e outros países, e estar sendo comercializada, estudos pós marketing mostraram efeitos no sistema nervoso central, principalmente depressão e maior índice de suicídios, resultados que levaram à suspensão da medicação no mundo inteiro.

Substâncias

Mecanismo
de ação

Dose
(mg/dia)

Efeitos
adversos

Catecolaminérgicos

Femproporex
(Desobesi M®)

reduz ingesta

20-40

boca seca, insônia, taquicardia e ansiedade

Anfepramona
(Dualid® Hipofagin®)

reduz ingesta

40-75

Idem ao femproporex

Mazindol

(Dasten® )

reduz ingesta

1-3

Idem ao femproporex

Serotoninérgicos

Fluoxetina
(Eufor®, Daforin®,
Prozac®, Fluxene®)

reduz compulsão
melhora dos sintomas
depressivos

20-60

Cefaléia, insônia ou sonolência, redução da libido

Sertralina
(Zoloft®)

reduz compulsão
reduz melhora dos
sintomas depressivos

50-150

Idem a fluoxetina

Serotoninérgicos e noradrenérgicos

Sibutramina
(Biomag®,
Sibus®

Reductil®,
Plenty®)

­aumenta saciedade e
atividade termogênica

10-20

Boca seca, constipação intestinal e eventualmente
aumento da
pressão arterial e taquicardia.

Inibidores da lipase

Orlistat
(Xenical®
Lipiblock®)

reduz absorção
da gordura

240-360

Flatulência , incontinência,urgência fecal, diarréia.

Má absorção de
vitaminas lipossolúveis ?

Novos  e futuros Medicamentos

Alguns medicamentos foram lançados para tratamento de outras doenças, entretanto foi observado que auxiliariam na perda de peso. Alguns desses medicamentos não foram oficialmente considerados medicamentos antiobesidade pois são necessários estudos que não so comprovem os beneficios na perda de peso mas tambem a segurança da utilização.

Alguns medicamentos foram lançados recentemente nos Estados Unidos para a perda de peso, mas não estão disponíveis no Brasil.

Outros medicamentos estão em fase de estudo. Estima-se que existam mais de 150 novos agentes, em várias fases de desenvolvimento, muitos deles em estudos clínicos de fase 3. O tempo que decorre para se chegar a esta fase é de 8 a 10 anos, a um custo estimado de 1,7 bilhão de dólares.

Alguns desses medicamentos serão comentados a seguir.

Cloridrato de metformina (Glifage®, Dimefor®, Glucoformin®) é um antidiabético oral da classe das biguanidas. É um dos medicamento de escolha no tratamento do diabetes mellitus tipo 2 especialmente em pessoas obesas ou com sobrepeso e em alguns casos de tratamento da sindrome de ovarios micropolicisticos. O cloridrato de Metformina pode também ser usado em casos esteatose hepática mas os estudos científicos ainda não mostraram benefício definitivo nesta condição. A principal indicação para a metformina é o diabetes mellitus tipo 2, principalmente em pessoas obesas e quando acompanhado de resistência à insulina. A metformina reduz a ocorrência de todas as complicações do diabetes, inclusive as complicações cardiovasculares e tem a melhor relação risco-benefício dentre todos os antidiabéticos.

Em dezembro de 2010 o FDA aprovou o medicamento Contrave® para o tratamento da obesidade naquele país. Contrave® é uma pílula com a combinação fixa, de liberação prolongada, de duas drogas que, isoladamente, já existem no mercado: o naltrexone ( 36 ou 48mg), um bloqueador opióide utilizado para o tratamento do alcoolismo e drogadição; e a bupropiona (400mg), medicação utilizada como antidepressivo e também indicada para o auxílio para parar de fumar. Ambas já foram testadas isoladamente para o tratamento da obesidade. Com a primeira, os resultados foram desanimadores e, com a segunda, houve certa perda de peso. A bupropiona em determinados casos é utilizada para o emagrecimento. A associação dos 2 medicamentos ainda não e comercializada no Brasil. Os estudos com a combinação mostraram uma perda de peso significativa ( maior que 5%), com efeitos colaterais de leve a moderados ( cefaléia, constipação, náuseas, insônia e irritabilidade). Estes efeitos parecem que são atenuados com a manutenção do tratamento. A aprovação pelos membros do FDA não foi unânime, porque questionou-se possíveis efeitos cardiovasculares, principalmente hipertensão arterial.

 

O Cetilistate atua inibindo a enzima Lipase e conseqüentemente impedindo a absorção intestinal de cerca de 30% da gordura ingerida. O objetivo do uso desta medicação é induzir um balanço energético negativo ao inibir a hidrólise dos triglicérides da dieta e, consequentemente, diminuir a absorção de monoglicérides e ácidos graxos livres. Este medicamento age do mesmo modo que o orlistate (Xenical®) e tem potência semelhante, porem pequenas diferenças na estrutura da molécula fazem com que o cetilistate não promova tanta coalescência entre as micelas de gordura. Essa propriedade reduz a formação de óleos e diminui a incidência de efeitos colaterais. Diferentemente da maioria dos fármacos prescritos para auxiliar na perda de peso, o Cetilistate não restringe o apetite, pois não atua no Sistema Nervoso Central. Ele permanece no trato grastrintestinal sem absorção significativa, por isso, pode esperar-se que ele tenha um perfil de benefício de risco superior a drogas centralmente interinas. A evidência da segurança e eficácia do Cetilistate foi estabelecida por estudos clínicos que mostram perda de peso significante e redução da circunferência abdominal após 12 semanas de tratamento com cetilistate 80 e 120 mg. Efeitos colaterais: foram relatados dor de cabeça e dores abdominais.

Qnexa ® foi  liberado pelo FDA em julho de 2012 é uma combinação de liberação prolongada, de duas drogas:  topiramato (droga disponível no Brasil) e fentermina (já vendida nos EUA, indisponivel no Brasil). O topiramato é uma medicaçao tambem utilizada para prevençao de alguns tipos de enxaqueca e tem açao anti convulsivante. As doses de fentermina e topiramato do Qnexa® são, respectivamente, 15 e 100 mg e já existe estudo com doses de 30 e 400 mg, as máximas permitidas das duas medicações.

Liraglutide (Victoza®)  – É um análogo do GLP-1 administrado por via subcutânea em dose única diária e que vem sendo testado em pacientes obesos não diabéticos. Em um estudo de fase 2, 564 pacientes foram randomizados para doses de 1.2, 1.8, 2.4, 3.0 mg ou placebo. A perda de peso foi superior ao placebo em 4.8 Kg no grupo que usou 1.2 mg de liraglutide e 7.2 Kg no grupo que usou 3.0 mg durante as 20 semanas do estudo. Nenhum dos grupos apresentou hipoglicemia. Disponivel no Brasil desde 2011 e nos EUA desde 2010.

Empatic ® é uma combinação de liberação prolongada, de duas drogas: bupropiona e zonisamida, um anticonvulsivante. Ambos aumentam a liberação de  a-MSH e CART e elevam os niveis de 5-HT. A dose exata da combinação ainda esta em estudo. Os estudos tem utilizado a dose de 300 mg de bupropiona combinado com 200 a 400 mg de zonisamida.  A zonisamida e um derivado benzoxasol, quimicamento não relacionada com outras drogas antiepilepticas. E atualmente licenciada nos EUA e Europa para tratamento de epilepsia em adultos.

A amilina é um peptídeo com 37 aminoácidos que é secretado pelas células beta do pâncreas junto com a insulina (numa proporção de 100:1)., encontrando se deficiente em pacientes diabeticos. Inibe a secreçao do glucagon e com isso retarda o esvazimento gastrico e e age como agente sacietogeno. O pramlintide é um análogo da amilina aprovado como antidiabético injetável. Estudos de dois anos comprovaram a eficácia de 360μg de pramlintide, usado antes das refeições, na redução do peso corporal.  Ainda não foi lançado no Brasil.

Pramlintide + Metreleptina – Como o pramlintide aumenta a sensibilidade à leptina, a associação deste fármaco com 5 mg de metreleptina ocasionou maior perda de peso do que com o pramlintide isolado.

Lorcaserina – Existem 14 receptores diferentes para a serotonina. A Lorcaserina é um agonista subtipo seletivo com afinidade 100 vezes maior para o receptor 5-HT2C, que ativa os neurônios que expressam a POMC. Os estudos de fase III – BLOOM (3182 pacientes) e BLOSSOM (4008 pacientes), com duração de 52 semanas, nos quais se utilizou 10 mg de Lorcaserina duas vezes ao dia – mostraram uma perda média de peso de 8,2% no grupo dadroga ativa, versus 3,4% no grupo placebo. A fenfluramina é um agonista do receptor 5-HT2B que foi retirada do mercado mundial por provocar lesões de válvulas aórtica e mitral. As avaliações ecográficas feitas nos estudos com a lorcaserina não mostraram qualquer alteração valvar. Ainda não foi lançado pela industria farmacêutica no Brasil, apesar de algumas farmácias de manipulação já estarem manipulando.

Trodusquemine (MSI-1436) – A PTP1B (Protein Tyrosine Phosphatase 1B) atua na sinalização do receptor da leptina e da insulina. O trodusquemine é um inibidor seletivo da PTP1B que diminuiu o peso de roedores e está em investigação em seres humanos.

Tesofensina – É um inibidor pré-sináptico da captação de noradrenalina, dopamina e serotonina, que se mostrou efetivo em modelos animais e que ocasionou perda de peso em pacientes obesos com doença de Parkinson e Alzheimer. Em estudos de 48 semanas, na dose de 0,5 a 1mg, a perda de peso foi o dobro do grupo placebo e a mesma que a observada com a sibutramina e o rimonabanto, sem efeitos colaterais sobre a pressão arterial ou humor. Estudos de fase 3 estão realizados.

Análogos dos hormônios tireoidianos (HT) seletivos para o receptor β – Os HT agem através dos receptores alfa e beta, sendo que os alfa são responsáveis por efeitos colaterais, tais como taquicardia. Podemos estimular seletivamente os receptores β com substâncias desenvolvidas por laboratórios e chamadas de GC e KB, sendo que existem vários GCs (1, 24, 23425) e KBs (141, 2115, 3495) em estudo. O uso destes análogos sem efeitos cardiotóxicos ocasiona diminuição do peso por aumento do gasto energético, diminuição do colesterol (maior do que com a atorvastatina), dos triglicérides, da massa gorda, sendo que não houve alteração da massa magra, da freqüência cardíaca e do metabolismo ósseo.

Para finalizar é sempre bom reforçar que as modificações do estilo de vida são e sempre serão os pilares do tratamento da obesidade e os medicamentos auxiliam no tratamento mas como qualquer medicamento utilizado no tratamento de qualquer doença crônica vem acompanhado de potenciais riscos de efeitos adversos. Fazer acompanhamento medico com profissional capacitado também é fundamental!