Dra Monica Cabral Endocrinologista
Cirurgia Bariátrica - Dra Monica Cabral Endocrinologista

Cirurgia Bariátrica

POR QUE A CIRURGIA BARIÁTRICA É CONSIDERADA O TRATAMENTO MAIS EFICAZ PARA A OBESIDADE MÓRBIDA?

Por várias razões ! Estudos demonstram que os métodos voluntários de perda de peso são ineficazes no manuseio da obesidade grave. Nenhum estudo a longo prazo demonstrou, até o momento, que a reeducação alimentar, a atividade física regular, a terapia comportamental e/ou uso de medicamentos antiobesidade contribuem para uma grande redução da mortalidade do grande obeso e uma melhora substancial da qualidade de vida. A perda de peso obtida pela cirurgia não é conseguida por nenhuma modalidade de tratamento clínico.

QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS DA CIRURGIA?

– Cura ou redução das doses dos antidiabéticos orais e/ou insulina em 95% dos diabéticos tipo 2, cura da síndrome da apnéia do sono em 90% dos pacientes, melhora da incontinência urinária de esforço, do hirsutismo, acne associados à síndrome de ovários policísticos e à resistência insulínica, dos sintomas de esofagite de refluxo, redução dos níveis pressóricos, melhora do perfil lipídico, da artropatia, e acima de tudo melhora da qualidade de vida. – Os pacientes ficam livres das decepções dos tratamentos clínicos, da discriminação, dos problemas com o tamanho, das descompensações das comorbidades e muito mais. Como quase 60% dos pacientes com obesidade mórbida são obesos desde a infância a modalidade cirúrgica leva esses pacientes a um lugar onde eles nunca tiveram.

QUAL É A IMPORTÂNCIA DO PREPARO ANTES DA CIRURGIA?

O tratamento clínico tem o seu lugar na preparação desses pacientes para a cirurgia, pois perder peso antes da cirurgia reduz o risco de complicações per e pós-operatórias. Os pacientes que serão submetidos ao tratamento cirúrgico devem começar a mudança dos seus hábitos antes da cirurgia, aprendendo a ter uma alimentação mais saudável, a mastigar bem os alimentos, a serem menos inativos, e principalmente compreendendo bem o procedimento ao qual serão submetidos.

É MUITO IMPORTANTE A AVALIAÇÃO POR VÁRIOS ESPECIALISTAS ANTES DA CIRURGIA E O CONTATO COM PACIENTES OPERADOS NAS REUNIÕES !

QUANDO ESTÁ INDICADA A CIRURGIA?

Nos casos de IMC ³ 40 kg/m2 Nos casos ³ 35 kg/m2 com doenças associadas ‘a obesidade: diabetes, hipertensão, apnéia do sono, doenças articulares dentre outras. Tendo havido nos casos acima descritos, repetidas falhas dos tratamentos clínicos convencionais.

QUAIS SÃO OS TIPOS DE CIRURGIA?


CIRURGIA BARIÁTRICA1) Operações que apenas reduzem o estômago ( “gastro-restritivas”).
Consistem em construir um pequeno reservatório gástrico, de 15 a 25 ml, que se comunica com o restante do estômago, e que tem seu esvaziamento dificultado por um anel ou fita, com a função de impedir que o paciente coma grandes volumes, ou coma rapidamente. O grande problema desse grupo é que muitos pacientes recuperam o peso por voltarem a ingerir muita caloria através de alimentos líquido e pastosos hipercalóricos (sorvete, leite consensado, sundaes etc). A figura ilustra a banda inflável que consiste de um anel de silicone é colocado em torno do segmento proximal do estômago, fazendo uma constrição, “septando” o estômago em duas cavidades.


CIRURGIA BARIÁTRICA2) Operações que provocam sobretudo disabsorção ( “disabsortivas” ).
Deixam grandes segmentos intestinais excluídos do trânsito alimentar, com ressecção de parte do estômago, o que compromete acentuadamente o processo de digestão e a assimilação dos alimentos. São operações de grande porte, sujeitas a freqüentes e múltiplas carências de vitaminas, sais minerais, de mais difícil acompanhamento e tratamento. O paciente não tem a limitação de controlar a quantidade de alimentos a ser ingeridos pois não se trata de cirurgia restrtiva porém a disabsorção é grande e o cuidado deverá ser muito maior. A figura ilustra um exemplo que é a cirurgia de Scopinaro ou Gastrectomia com derivação bilio-pancreática , onde o estomago é ressecado em cerca de 70% de seu tamanho, e a continuidade digestiva é restabelecida com 2,5 m do intestino delgado distal ( “canal alimentar” ). O restante do intestino delgado (canal bilio-pancreático), é anastomosado (conectado) ao íleo terminal a 50cm da válvula íleo-cecal, criando um segmento chamado “canal comum”. A vesícula biliar é retirada sistematicamente.

CIRURGIA BARIÁTRICA3) Operações que reduzem o estômago e promovem uma moderada disabsorção (“gastro-restritivas e disabsortivas”). Nestas é construído um pequeno reservatório gástrico, de mais ou menos 15 ml, com seu esvaziamento dificultado por anel de silicone, ou fita de polipropileno. Este reservatório se esvazia diretamente numa alça de intestino. Esta operação além de gastro-restritiva, também compromete a absorção de alimentos. Os pacientes perdem cerca de 40% a 60% do seu peso total do pré- operatório, nos primeiros dois anos. O paciente tem que mastigar bem os alimentos, a saciedade é precoce pois o reservatório do estômago fica logo cheio. Se o paciente come muito rápido e mastigando pouco corre o risco de vomitar. A ingestão de doces que freqüentemente participam do cardápio dos grandes obesos, usualmente causa mal estar, o que faz com que sejam evitados. A figura ilustra a gastroplastia com anel e bypass ou cirurgia de Capela , na qual é confeccionado um reservatório a custa da pequena curvatura do estômago, o qual tem seu esvaziamento regulado por um anel de silicone (2mm), e que se anastomose ( comunica) com uma alça jejunal exclusa ( “Y de Roux“).

LEMBRE-SE: A cirurgia é a oportunidade para modificar a sua vida no sentido de uma vida mais saudável! Emagrecer saudável envolve uma alimentação saudável e a prática de exercício físico. Quanto mais exercícios você fizer, mais rapidamente e mais efetivamente você atingirá “seu peso ideal”. Nos casos em que a operação não funciona, muitas vezes ocorrem com pessoas que continuam tentando “enganar” a operação, comendo o máximo que aguentam, e descobrindo motivos para não fazer exercícios. É importante o paciente entender que a operação é apenas uma ferramenta que ele deve administrar para atingir o objetivo de controlar a obesidade. A participação dele no processo é fundamental.