Anvisa não decide sobre a proibição de remédios emagrecedores
BRASÍLIA - Depois de quatro horas de debate, a audiência pública para tratar da disposição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em suspender a venda de remédios inibidores de apetite terminou sem uma posição final do órgão. Técnicos da Anvisa fizeram uma exposição da norma na qual apresentaram estudos que concluem pela ineficácia de três anorexígenos e da sibutramina, utilizados nos medicamentos para emagrecer.
A agência decidiu proibir a comercialização de remédios elaborados a partir dessas quatro substâncias porque estudos revelaram aumento de problemas cardiovasculares entre os usuários. EUA e Europa já retiraram os medicamentos do mercado.
Representantes de entidades médicas rebateram os argumentos da Anvisa, defenderam o uso dos medicamentos e afirmaram que a proibição desses remédios vai causar maiores problemas de saúde para os obesos. O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Ricardo Meirelles, afirmou que há obesos com dificuldade de mudar estilo de vida e hábitos alimentares e que, por isso, dependem desses remédios.
- A obesidade é uma doença crônica. A proibição desses remédios vai criar um mercado negro de seu comércio, as pessoas voltaram a engordar e com riscos inerentes - disse ele.
A presença de policiais federais armados no evento causou perplexidade. O presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, disse que a presença dos agentes foi necessária por conta de ameaças contra dirigentes da entidade. Ele pediu desculpas e a compreensão dos presentes, que ficaram incomodados.
Publicado no site O Globo em 23 /02/2011 – reportagem de Evandro Éboli
Anvisa quer proibir sibutramina e outros remédios para emagrecer
Além da dieta e dos exercícios físicos, muita gente precisa de um medicamento anti-obesidade para conseguir emagrecer. A ANVISA quer banir a comercialização de todas as drogas usadas para auxiliar a perda de peso que atuam no sistema nervoso central. Nessa lista entram a sibutramina e os derivados feniletilamínicos (femproporex, dietilpropiona e mazindol).
Há alguns dias, a proposta de proibir os emagrecedores foi anunciada a especialistas e entidades médicas. Está marcada para a próxima quarta-feira, dia 23/2, uma audiência pública para discutir o cancelamento do registro de medicamentos que contêm sibutramina. A discussão vai acontecer das 9h às 13h, no Auditório da Anvisa – localizado no SIA trecho 5, área especial 57, bloco E, em Brasília (DF).
A Abeso
(Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) e a
Sociedade Brasileira de Endocrinologia criticaram duramente a proposta da Anvisa
de proibir o uso de remédios usados para emagrecer e que atuam no sistema
nervoso central: a sibutramina e os derivados feniletilamínicos (femproporex,
dietilpropiona e mazindol). Essa decisão, se tomada, deixará os médicos sem
opções de remédio para tratamento da doença.
Os remédios anti-obesidade são usados para pessoas que têm IMC
(Índice de Massa Corpórea) acima de 30 e que têm dificuldades para perder peso
ou que tenham IMC acima de 25 associado a comorbidades, como pressão alta e
diabetes. Os remédios são necessários para o tratamento nesses casos, mesmo que
o processo de perda de peso também envolva questões como a melhora na
alimentação e a realização de exercícios físicos. O uso criterioso de medicações
antiobesidade claramente contribui para a melhora da saúde dos pacientes,
auxiliando-os na perda de peso, reduzindo o aparecimento das complicações. Em
comunicado, a Abeso diz que “as mudanças de estilo de vida, alimentação e
atividade física são os pilares de um bom tratamento da obesidade, porém nem
sempre são suficientes para evitar a progressão da doença”.
Para se ter uma ideia, a única droga para o tratamento da obesidade
cuja venda deverá continuar liberada é o orlistate (Xenical), que atua
diretamente no intestino, reduzindo em cerca de 30% a absorção de gordura. Sem
opção de medicamentos como a sibutramina e outros medicamentos anit-obesidade,
milhares de pessoas hoje em tratamento e com seu peso controlado poderão voltar
a engordar.
O medo dos médicos é que, como alternativa, muitos pacientes optem pela compra dos remédios por conta própria, de maneira muitas vezes ilegal ou que aumente a comercialiazação de substancias fitoterápicas ou ortomoleculares que não têm comprovado beneficio para perda de peso nem tampouco estudos que garantam sua segurança. No momento recomendamos que mantenha o uso do medicamento pois se prescrito de forma adequada, com indicação precisa e realizando o acompanhamento médico adequado, o tratamento é seguro. Caso A ANVISA opte pela suspensão, não considerando a opinião dos especialistas no assunto e das Sociedade Médicas, recomendamos que não faça a suspensão abrupta da medicação e procure o seu médico para esclarecimento individual.